Tão triste, tão linda e ás vezes tão absurda.
(originally ruadasaudade / via 23-32pm)




“Não havia guarda-roupa mais desarrumado que seus sentimentos. Não havia escritório mais organizado que seus pensamentos. E não havia jujuba mais doce que seu coração. Não havia limão mais azedo que suas palavras. Ela era uma mistura, mas uma mistura que de uma maneira ou outra se encaixava. O doce com o azedo, o bagunçado com o organizado. Ora ou outra nem ela se entendia, se sentava naquela poltrona e pensava nela mesma. Tentava se entender, tentava se decifrar. Coisa que nem sempre conseguiu, nunca conseguiu decifrar-se. Ela era um enigma sem solução, uma conta sem resultado, uma pergunta sem resposta. Nunca conseguiu se entender, sempre tentava, ao máximo, com todas as suas forças, mas nada. O resultado era sempre zero. Tinha horas que ela desistia, colocava sua música preferida pra tocar e ficava admirando a vista da sua janela. Observava diversas coisas, a vizinha a estender as roupas, as crianças brincando e seus avós sentados em um banco de mãos entrelaçadas. Sorria igual boba, aquilo era lindo. Pelo que sabia seus avós tinham se conhecido com vinte e poucos anos, e hoje aí com sessenta e poucos anos ainda estão juntos. Depois de tanto tentar se decifrar, tentar entender-se. Conseguiu saber o que queria. Queria um amor daqueles que só acaba quando os dois corações param de bater.” Isabela Bastos, noitesemparis
